corto06B A ilha do tesouro: Setembro 2006

quarta-feira, setembro 27, 2006

sem títuloA meteorologia dos sentimentos indica para hoje um céu pouco nublado ou mesmo limpo. Vento ligeiro. Pequena descida da temperatura máxima. Neblina ou nevoeiro matinal. Um dia assim parece-me perfeito.

quinta-feira, setembro 21, 2006

no baú (2)

A vida é uma incógnita. De tal maneira que às vezes tropeçamos, ao acaso, em qualquer coisa e descobrimos pequenos tesouros. Como este. x2

sem título Sabe, doutor, sinto um vácuo na cabeça. Sim , eu sei, é a velhice, chegou uma altura em que sinto uma espécie de condescendência da vida. Eu quero dar, enquanto posso. É a minha única razão de existir. Chega-se a um termo, que é aquele em que estou, que é isso que me move. Errei na transmissão dos meus sentimentos, eu tenho consciência disso, mas a minha própria consciência também me trai e me faz cair no esquecimento. E quando olho para ti, e para ti, e para ti, é com vontade de dar. E isso me move. E isso faz-me respirar. Mas sinto-me cansada. Muito cansada. Um dia quando te sentires como eu, nunca desistas de respirar.

quarta-feira, setembro 20, 2006

sem títuloCansei-me e fui construir outros sonhos. Gosto de saltar. E de me aguentar.

sexta-feira, setembro 15, 2006

sem título Há momentos em que as palavras entram nos maravilhosos labirintos dos jardins do nosso cérebro e vagueiam de dia com uma lamparina acesa na busca da saída. Ideias vagas me ocorrem. Ao sol posto, fica reposta a serenidade. Demasiada serenidade. Vejo um nesga da serra, engano-me com uns verdes de árvores. Há quanto tempo estão ali? Muito certamente. Apetecia-me ter a esperança de ser como as compotas, doces preparados com frutas ou legumes inteiros, em calda rala, que necessitam depois de ficarem conservadas em frascos muito bem tapados para poderem ser consumidas o ano inteiro.

terça-feira, setembro 12, 2006

no baú (1)

O sabortesouro formou dentro de mim a recordação de um momento da minha infância. Uma ocasião muito especial.

sem título Deixei para trás um refúgio de mentira, ilusão, que camuflava a dificuldade da vida onde a morte encerra o espectáculo. Viver é sentir a capacidade de suportar a dor diminuir cada vez mais, mas não desistir de continuar a lutar. Na esperança de qualquer coisa melhor. O champanhe que hoje bebi, por exemplo, tem alma. Aquela aura de espuma cremosa forma-se em cima do copo e, no fundo, umas bolhinhas finíssimas desfazem-se à superfície. Frivolidades fadadas para o esquecimento como até estas minhas próprias viagens. Mas não me arrependo.

quinta-feira, setembro 07, 2006

sem títuloQuando passeava por um jardim, encontrei uma planta que me pareceu diferente de todas as outras. No momento em que lhe ia tocar, disse-me com voz firme. “Leva-me para casa. Não sou como as outras plantas a quem a natureza deu poucos anos de vida. A minha vida entra nos jardins de outras vidas e faz a existência dos outros medir-se em séculos. O meu nome é Ambrósia”.

(Na mitologia grega, Ambrósia era uma planta capaz de imortalizar o ser humano que dela comesse. Actualmente, é um tipo de doce. Eis a receita:
½ litro de leite
2 chávenas de açúcar
½ chávena de água
6 gemas
Essência de baunilha
Canela para polvilhar

Leve ao lume o açúcar e a água e deixe ferver até obter uma calda rala. À parte, bata as gemas, misture com o leite, bata novamente e despeje na calda. Deixe em lume brando mexendo de vez em quando, ao de leve, com um garfo. Junte a essência de baunilha a gosto. Após 10 minutos, retire do lume e deixe arrefecer. Passe para um frasco de compota e polvilhe com canela.)

domingo, setembro 03, 2006

sem títuloBosques e lagos sempre fizeram parte da minha imaginação. Intrusos que me visitam à noite, nos sonhos. No local onde vivo, rodeado de pedras de todas as formas, eles são o meu consolo. Um local imaginário para caminhadas privilegiadas. Um dos meus passatempos preferidos é criar o seguinte quadro: um aglomerado de gente a aparecer nas margens do lago com pequenas lanchas às costas, depois de um dia de trabalho, antes de regressar a casa para o jantar. Há mesmo quem se dispa para nadar nas águas mornas. As trutas não se importam. Penso nisto tudo, enquanto estou sentado no balcão de uma cervejaria a beber um uísque velho, após ter percorrido um caminho quase labiríntico de curvas e passagensa estreitas, Outros pensamentos me ocorrem. Como o desejo de regressar a Viana do Castelo para subir as centenas de degraus de pedra da Basílica de Santa Luzia e fixar a assombrosa vista, isto para além de sentir um punhado de vertigens ao olhar cá para baixo.

sábado, setembro 02, 2006

sem títuloPasso-me a explicar: sou um pessimista optimista. Ou seja, defendo a ideia do mal e do sofrimento como componentes irredutíveis da experiência humana, mas acredito que eles contribuem para a harmonia de todo o universo. E do meu próprio universo. A ilha do tesouro é isso, é encontrar essa plenitude. Não sei se a vou alguma vez descobrir, mas seguindo a linha de um horizonte que parece estar tão perto pelo menos pus-me a caminho.

sem título(Não, não deves ficar preocupado com o dia de amanhã. Porque o dia de amanhã cuidará dele mesmo. Bastam os desafios que temos cada dia de enfrentar). As tuas palavras são reconfortantes. Mas não tenho bem a certeza que a vida possa ser assim. Não tenho bem a certeza. A vida é muito árdua, é assim como estar num porão de um navio. Escuro, húmido, mal-cheiroso. Às vezes, até se sente falta de ar. São semanas de aborrecimento a procurar uma saída, a viver guerras, conflitos, de extrema dureza. Muito duras. Mas que mesmo assim nos vão distraindo. De tal modo que começamos a gostar e passamos para o plano da diversão. Pura ilusão.

sexta-feira, setembro 01, 2006

sem títuloQuando regresso das minhas pilhagens, de uma viagem bem sucedida, estou disponível para a diversão. Rapidamente esgoto a riqueza nas tabernas. Ninguém me tira os prazeres da vida. Nunca nos devemos esquecer que depois de uma boa batalha, as lapas e as algas têm de ser retiradas do casco do barco. Este, aliás, deve ser reparado ou mesmo substituído. Depois, claro, chega o dia em que temos de o abastecer com provisões para a próxima viagem.

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